"Mas e se pegar fogo?" é provavelmente a pergunta mais frequente que quem trabalha com Light Steel Frame escuta de potenciais clientes. A dúvida faz sentido. Afinal, todo mundo já viu imagens de estruturas metálicas deformadas após incêndios e a associação é imediata: se o aço entorta com calor, como confiar nele para construir a minha casa?
A resposta curta é: uma casa bem projetada em Steel Frame é tão segura contra incêndio quanto uma casa de alvenaria. Em muitos cenários, até mais. Mas a resposta curta não basta quando o assunto é a segurança da sua família. Então vamos ao que realmente importa: como o fogo afeta o aço, o que protege a estrutura, e por que a engenharia por trás do sistema já resolveu esse problema há décadas.
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Incombustível — Classe A1
ASTM E136 — aço não inflama, não alimenta chamas
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°CPonto de fusão do aço
Incêndio residencial típico atinge 800–1.000°C
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minTRRF do sistema LSF
Tempo de resistência ao fogo com configuração robusta
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minExigência NBR 14432
Para residências ≤12m — LSF entrega 3 a 4x mais
Primeiro, a distinção que muda tudo: combustível vs. resistente
Existe uma confusão muito comum entre dois conceitos diferentes: combustibilidade e resistência ao fogo. São coisas distintas, e entender essa diferença é o ponto de partida para qualquer conversa séria sobre o tema.
Combustibilidade é a capacidade de um material pegar fogo e alimentar as chamas. Madeira é combustível. Tecido é combustível. Gasolina é combustível. O aço não é. O Light Steel Frame (LSF), sistema construtivo industrializado que utiliza perfis de aço galvanizado como estrutura, é classificado como material incombustível, Classe A1 pela norma ASTM E136. Isso significa que ele não inflama, não alimenta o fogo e não produz fumaça tóxica. Em nenhuma circunstância.
Resistência ao fogo, por outro lado, é a capacidade de um elemento construtivo manter sua função estrutural enquanto exposto a temperaturas elevadas por determinado tempo. E aqui, sim, o aço merece atenção, porque ele perde resistência mecânica conforme a temperatura sobe. Mas esse é um problema que a engenharia resolveu com camadas de proteção que fazem parte do próprio sistema.
A analogia mais honesta é esta: avaliar o aço nu exposto ao fogo é como avaliar os vergalhões do concreto armado sem o concreto ao redor. Nenhum sistema construtivo funciona com a estrutura exposta. E no LSF, a proteção já está embutida no projeto.
O que acontece com o aço quando a temperatura sobe
Vamos aos números, porque eles são mais úteis do que opiniões. O comportamento do aço em temperaturas elevadas é amplamente documentado pelo Eurocode 3 (norma europeia, base técnica da brasileira NBR 14323) e os dados são bastante claros.
Até 400°C, o aço mantém 100% da sua resistência ao escoamento. A rigidez começa a cair antes disso, mas a capacidade de suportar carga permanece intacta. A partir de 500°C, a perda se torna relevante: o aço retém cerca de 78% da resistência original. A chamada temperatura crítica, por volta de 550°C, é o ponto em que a resistência cai para aproximadamente metade. E o ponto de fusão? Fica entre 1.425°C e 1.540°C — uma temperatura que incêndios residenciais praticamente nunca atingem.
Resistência do Aço por Temperatura (% da resistência original)
| name | Resistência |
|---|---|
| 200°C | 100 |
| 300°C | 100 |
| 400°C | 100 |
| 500°C | 78 |
| 550°C | 50 |
| 600°C | 31 |
Em resumo: o aço não derrete em um incêndio residencial. O que pode acontecer, se a estrutura estiver desprotegida, é a perda progressiva de rigidez e capacidade portante. Mas essa é exatamente a função das camadas de proteção do sistema LSF: impedir que o calor chegue aos perfis de aço antes que o incêndio seja controlado ou que os ocupantes evacuem com segurança.
As camadas que protegem: como o sistema LSF se defende
Quem olha uma parede de Steel Frame vê apenas a superfície lisa do acabamento. Mas por dentro existe uma composição de materiais que funciona como um sistema integrado de proteção contra o fogo. Cada camada tem um papel.
As placas de gesso acartonado (drywall) são a primeira linha de defesa. O gesso contém cerca de 20% de água cristalizada na sua composição. Quando exposto ao fogo, essa água precisa ser completamente evaporada antes que a placa se degrade — o que absorve uma quantidade enorme de energia térmica e retarda significativamente a passagem do calor para a estrutura. As placas classificadas como RF (resistentes ao fogo, na cor rosa) contêm fibra de vidro e vermiculita, o que aumenta ainda mais esse tempo de proteção.
A lã de rocha, preenchendo a cavidade dos montantes, é o segundo escudo. Produzida a partir de rochas vulcânicas a temperaturas superiores a 1.500°C, ela suporta uso contínuo acima de 1.000°C. É totalmente incombustível, Classe A1. A lã de vidro, mais comum em isolamento termo-acústico, também oferece proteção, embora com limites de temperatura inferiores (450°C a 700°C).
As placas cimentícias, usadas no fechamento externo, completam o sistema. São classificadas como retardantes a chamas (A2) e oferecem resistência superior a 120 minutos.
O resultado combinado é o que a engenharia chama de TRRF — o Tempo Requerido de Resistência ao Fogo. E os números do sistema LSF são expressivos:
| Configuração da Parede | TRRF Obtido | Exigência Residencial (NBR 14432) |
|---|---|---|
| 1x gesso standard 12,5mm (cada lado) | 30 min | 30 min — atende |
| 1x gesso RF 12,5mm + lã de vidro | 60 min | 30 min — supera em 2x |
| 2x gesso RF 12,5mm + lã de rocha | 90 min | 30 min — supera em 3x |
| 2x gesso RF 15mm + lã de rocha + selantes corta-fogo | 120+ min | 30 min — supera em 4x |
| Designs certificados UL (EUA) | 60–240 min | Variável por ocupação |
TRRF por Configuração de Parede LSF
Para contexto: a NBR 14432 exige apenas 30 minutos de TRRF para residências de até dois pavimentos. O sistema LSF padrão já entrega o dobro ou o triplo disso.
E como fica a comparação com outros sistemas?
Essa é a pergunta que todo mundo quer ver respondida, então vamos ser diretos.
O concreto armado é incombustível e tem boa massa térmica, o que retarda naturalmente a passagem de calor. Mas a partir de 300°C, as armaduras de aço dentro do concreto começam a perder resistência (o mesmo aço que está no Steel Frame). E existe um fenômeno chamado spalling: em concretos de alta resistência, o aquecimento rápido pode causar lascamento explosivo da superfície, expondo as armaduras prematuramente.
A alvenaria convencional se comporta bem contra o fogo pela sua natureza cerâmica. Uma parede de tijolos de 14 cm tipicamente alcança TRRF de 60 a 90 minutos. É uma proteção sólida, mas com menos flexibilidade de configuração.
O Wood Frame é onde a diferença aparece com mais clareza. A madeira é combustível: inflama entre 200°C e 300°C e alimenta ativamente as chamas. Nos Estados Unidos, seguradoras cobram até 25% a mais para residências em Wood Frame comparadas ao Steel Frame.
| Sistema | Combustibilidade | TRRF Típico | Ponto Crítico | Risco Especial |
|---|---|---|---|---|
| Steel Frame (LSF) | Incombustível (A1) | 60–120 min | Aço perde rigidez a 500°C, mas protegido pelas camadas | Nenhum — estrutura não alimenta fogo |
| Concreto Armado | Incombustível | 60–120 min | Armaduras perdem resistência a 300��C | Spalling: lascamento explosivo em concretos de alta resistência |
| Alvenaria Convencional | Incombustível | 60–90 min | Depende da espessura (mín. 14cm) | Menor flexibilidade de configuração |
| Wood Frame | Combustível (200–300°C) | 30–60 min* | Estrutura inflama e alimenta chamas | Seguradoras cobram até 25% a mais vs. Steel Frame |
Comparativo de Resistência ao Fogo entre Sistemas Construtivos
A conclusão técnica é que, para residências de até dois pavimentos, todos os sistemas atendem às exigências normativas. Mas o LSF tem a vantagem de usar exclusivamente materiais incombustíveis na estrutura e oferecer flexibilidade para atingir qualquer TRRF exigido por meio da configuração das camadas.
O que dizem as normas brasileiras
O Brasil possui um arcabouço normativo completo para segurança contra incêndio em estruturas de aço, incluindo o LSF.
Em 2022, a publicação da NBR 16970 marcou um momento histórico: a primeira norma ABNT específica para Light Steel Framing no Brasil. Com ela, o LSF deixou de ser classificado como sistema "inovador" e passou a "tradicional" pela Caixa Econômica Federal, facilitando inclusive o financiamento habitacional.
O papel da compartimentação: a vantagem silenciosa do LSF
Existe um aspecto da segurança contra incêndio no LSF que poucos artigos mencionam, mas que engenheiros e projetistas consideram fundamental: a compartimentação.
Compartimentar é dividir a edificação em setores isolados, de forma que um incêndio em um ambiente não se propague para os demais antes que o fogo seja combatido ou que os ocupantes saiam com segurança. A construção a seco permite projetar cada parede com um TRRF pré-determinado e certificado por ensaio. Paredes entre unidades autônomas exigem mínimo de 60 minutos; escadas de segurança, 120 minutos.
No LSF, essa especificação é parte natural do projeto. Cada parede pode ser configurada independentemente, com o número de placas, tipo de isolante e selantes adequados ao TRRF exigido para aquela função específica. É uma engenharia de precisão que a alvenaria, com sua proteção baseada essencialmente na massa, não oferece com o mesmo grau de controle.
E o seguro? Paga mais caro?
Uma preocupação legítima. A resposta, com base nos dados disponíveis: não há evidência de sobretaxa para construções em LSF no Brasil. As seguradoras brasileiras classificam o risco por tipo de ocupação, localização e valor do imóvel — não especificamente pelo sistema construtivo. Como o LSF utiliza materiais incombustíveis na estrutura (aço) e no fechamento (gesso, cimentícia), ele tende a ser equiparado à alvenaria convencional na análise de risco.
Nos Estados Unidos, onde o mercado de seguros é mais granular nessa classificação, casas em Steel Frame recebem descontos de até 25% comparadas ao Wood Frame. A lógica é simples: menos material combustível, menor risco, menor prêmio.
Perguntas frequentes
Perguntas Frequentes sobre Steel Frame e Fogo
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Conclusão
A segurança contra incêndio de uma edificação não depende de um único material, mas do sistema construtivo como um todo. O Light Steel Frame combina estrutura incombustível com camadas de proteção projetadas para atingir qualquer nível de resistência ao fogo exigido pelas normas brasileiras. Os dados técnicos, os ensaios laboratoriais e o arcabouço normativo nacional e internacional confirmam: o LSF é um sistema seguro, previsível e, quando bem projetado, equivalente ou superior à alvenaria convencional em situação de incêndio.
A dúvida é compreensível. A resposta da engenharia, definitiva.
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